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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Penumoconioses

Título: Pneumoconioses: Conceitos Básicos

Subtítulo:Poeiras fibrinogênicas e não fibrinoênicas


      As pneumoconioses são doenças causadas por inalação de poeiras, substâncias que o organismo pouco consegue combater com seus mecanismos de defesa imunológica e/ou leucocitária.

      Para atingir as vias respiratórias inferiores as partículas devem ter a mediana do diâmetro aerodinâmico inferior a 10μm. A fração respirável (<5μm) tem maior chance de se depositar no trato respiratório baixo (bronquíolos terminais e respiratórios e os alvéolos) e dar início ao processo inflamatório que, se perpetuado pela inalação crônica e/ou em quantidade que supera as defesas, pode levar à instalação das alterações pulmonares. Partículas com diâmetros de 5 a 10μm, embora em menor proporção, também têm condição de se depositar nessas regiões e produzir doença.

      As pneumoconioses são didaticamente divididas em fibrogênicas e não fibrogênicas.

     As ocupações que expõem trabalhadores ao risco de inalação de poeiras causadoras de pneumoconioses estão presentes em vários ramos de atividades, como mineração e transformação de minerais, metalurgia, cerâmica, vidros, construção civil, agricultura e indústria da madeira (poeiras orgânicas), entre outros.

     Dados de 1991 estimaram em 100 mil o número de mineiros ativos registrados e cerca de 400 mil os trabalhadores envolvidos em atividades de garimpo. Em 1996, o IBGE estimou em 8,5 milhões o número de trabalhadores em atividade na indústria de transformação, dos quais 43% deles potencialmente expostos a poeiras. No mesmo ano, a estimativa na construção civil foi de 4,5 milhões de trabalhadores, e no setor agrícola, foi de 16,7 milhões de trabalhadores expostos principalmente a poeiras orgânicas.

     Dados recentes de estimativas de exposição à sílica no Brasil apontam que no período de 1999 a 2000, cerca de 1.815.953 trabalhadores vinculados a empregos formais estavam expostos à sílica em mais de 30% de sua jornada de trabalho.

     Apesar do número de trabalhadores expostos a asbestos nos últimos quatro anos ter reduzido devido à perda de mercado e substituição do asbesto em alguns produtos industrializados, ainda calcula-se que outros 250 mil a 300 mil trabalhadores estejam expostos de forma inadvertida nos setores de construção civil e manutenção mecânica.

    A extração de carvão mineral empregou entre 2004 e 2005, cerca de três mil a quatro mil mineiros, apesar da flutuação do ramo.

    Alguns estudos descritivos transversais publicados mais recentemente indicaram percentuais de ocorrência de silicose que variam de 3,5% no ramo de pedreiras (exploração de granito e fabricação de pedra britada) a 23,6% no setor de indústria naval (operações de jateamento com areia).

   Com relação à exposição ao asbesto/amianto, os poucos estudos publicados mostram prevalência de 5,8% de asbestose no setor de fibrocimento (fabricação de telhas e caixas d'água) e ocorrência de 74 casos de asbestose (8,9%), e de 246 casos de placas pleurais (29,7%) em população selecionada de ex-trabalhadores desse mesmo setor da indústria do amianto.

    Na mineração de carvão no Brasil, restrita à Região Sul, existem mais de 2.000 casos de Pneucomoniose do Trabalhador do Carvão (PTC) diagnosticados. A prevalência pontual de PTC em mineiros ativos na década de 80 era de 5,6% e a probabilidade de ocorrência foi estimada em 20% após 15 anos de trabalho subterrâneo. Casos clínicos e série de casos de outras pneumoconioses têm sido descritos ao longo dos anos, alertando para possibilidades de ocorrência de doenças relacionadas à exposição de óxido e ferro, rocha fosfática, talco, abrasivos, metais duros, berílio e sericita.

    Como se observa, os dados epidemiológicos sobre pneumoconioses no Brasil são escassos e focais, enquanto a exposição em vários ramos de atividades continua grande. A maior causuística nacional de silicose provém da mineração de ouro subterrâneo de Minas Gerais, na qual já foram registrados cerca de quatro mil casos.

   Em virtude das observações feitas, dos casos confirmados de pneumoconiose e suas complicações verificadas nos estudos selecionados, se torna cada vez mais clara e urgente ações preventivas direcionadas neste campo.






Publicado em WebArtigos.com
http://www.webartigos.com/articles/30644/1/pneumoconioses-conceitos-bsicos/pagina1.html
* Por Valéria Araújo Cavalcante
* Publicado 2/01/2010

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