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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Rosa Vermelha

Era uma rosa vermelha, brilhante, exuberante.
Exalava vida, brilho, encantos...
Nossa... Quanta vida!
Cuidei pra que ela mantivesse sua beleza.
Deslumbrei-me com ela.
Coloquei-a num local de destaque.
Observei a maciez e umidade de suas pétalas.
Confidenciei-lhe meus maiores segredos e temores.
Me acolhi como uma criança indefesa ao seu lado.
Entreguei-me por inteiro a sua magia.
Agarrei-me a ela, em detrimento das demais rosas, pois ela queria atenção especial.
A Rosa Vermelha, meu lar, minha vida, se misturaram.
Mas a Rosa Vermelha, sempre queria mais.
Ela queria tudo!
Meu suor, sangue e lágrimas!
Não entendi, por quê?
Percebi que corria vermelho o sangue, lento e silencioso...
Como uma doença que me tomava por inteiro insidiosamente.
Calada, covarde e letal.
O sangue vermelho, como vazava discreto...
Perguntei-me se o aparato da Rosa seria pra esconder seus espinhos.
Voltei a olhar em sua direção.
Ela continuava lá, porém completamente apagada.
Inerte, indiferente ao meu sofrimento.
Como eu pude ver a mesma Rosa de modo tão diferente?
Teria eu me enganado tanto?
Será que essa Rosa nunca teve esse encanto?
Será que sendo cuidada recuperaria o viço?
Quem sabe aprenderia a não ferir?
Que mal a fiz?
Dei-lhe amor, alimento e atenção!
Continuei a fitá-la, mas ela estava sem expressão.
Não posso acreditar!
Meu corpo e alma não aceitam o que vejo.
Tudo em mim quer negar essa constatação.
Meu coração também sangra!
Assim, como minha alma e mente!
Resta-me lamentar, pois já estou fraca demais.
Estou dormente, estarei eu delirando?
Que tudo isso é um pesadelo.
Amanhã devo acordar....
Sinto-me úmida como a pétala.
Tudo parece da cor da Rosa....
Decerto não lembrarei nada disso, amanhã...





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Rosa Vermalha de Valéria Araújo Cavalcante é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil.


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